sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sequelas da depressão




Quando passamos por atendimento adequado e o nosso organismo finalmente começa a se restabelecer da depressão, começamos a enxergar as coisas mais claramente.
Conseguimos enxergar que muito do que vivemos naqueles dias não parece nos pertencer mais, conseguimos finalmente olhar no espelho de nossa alma e identificar que existe um ser humano ali, com falhas e virtudes, mas com muita vontade de viver.
Enxergamos as pessoas que estiveram ao nosso lado e também as que estiveram ao nosso lado sem estar de fato. A vida ganha mais sentido e o clichê de que nos tornamos mais fortes é respaldado pelo fato que conseguimos visualizar o que nos faz bem e o que nos faz mal. Quem agrega e quem diminui o que há de bom em nós. E com isso, ganhamos uma certa imunidade para batalhar no próximo combate.
A parte mais triste para um depressivo é o julgamento da sociedade, dos amigos e da família, que não conseguem entender a dimensão da dor que sentimos e preferem nos chamar de doido, preguiçoso, indeciso e tantos outros nomes pejorativos que em nada contribui.
Quando alguém adoece com pneumonia e fica acamado com febre, dores pelo corpo, falta de apetite e dificuldade para respirar todos se compadecem e correm para socorrer da melhor forma possível. Nós depressivos sentimos tudo isso e muito mais, sentimos a angustia de continuar vivendo quando nossa maior vontade é apenas dormir e não acordar mais. Mas, ninguém nos enxerga como pessoas doentes e muito carecidas de ajuda.
“NÃO ACORDAR MAIS!” É um clássico na depressão, talvez este seja um dos únicos desejos que restam na vida de quem não vê mais graça na vida: Apenas dormir e nunca mais acordar.
Porque ao acordar o mundo parece pesado demais para se carregar, seu peso é tão intenso que nos curva até a alma. Dói levantar, porque sabemos que nada mudou. Continuamos vivos e com os mesmos fantasmas que afligem nossa alma. Nossa dor é lacerante e dormir é um anestésico fabuloso para quem consegue este presente, pois em muitos casos a insônia é a companheira do depressivo. Ela está ali firme e forte por noites a fio, sugando cada gota de vontade de viver que ainda resta. Alimentando a mente já exausta de tantos pensamentos ruins de pensamentos ainda piores.
O dia amanhece, o despertador toca e você não sabe ao certo se dormiu ou mesmo se ainda vive de tão exausto que está, mas a vida continua, você tá só com “frescura”, nada mais que isso. Então, você junta o restinho de forças que tem, quando dá, toma um banho e mal penteia o cabelo. Coloca a primeira roupa que encontrar na bagunça que é o seu quarto e sai com um sorriso triste nos lábios.
Cumprimenta os amigos, tenta explicar a magreza ou gordura excessiva dos últimos meses, sorri para as piadas sem graça e finge viver por mais um dia. Quando alguém especial que realmente se importa com você te pergunta o que está acontecendo, você sorri e diz que é cansaço e que o trabalho tá te matando, porque você não quer preocupar aquela pessoa especial.
Os demais só perguntam por curiosidade e para dar as receitas milagrosas de felicidade absoluta que só serviria para você, porque vamos combinar, gente sem noção tem a solução para todos os problemas do universo, mas não conseguem resolver um problema com o marido em casa.
A depressão, meu caro combatente, é uma luta diária, na qual algumas vezes seremos fortes o bastante para não ser atingido e em outras ocasiões o inimigo pode nos pegar de forma vulnerável e nos atingir em cheio. Então, é necessário vigiar e porque não, orar! E quando atingido, buscar socorro urgente, pois quanto mais rápido for tratado, menos sequelas teremos.
Eu demorei muito para buscar ajuda, fiquei com síndrome do pânico e ansiedade. Dois distúrbios que debilitam e paralisam a vida de uma pessoa se não for tratada também.
“Ansiedade é frescura”, coisa de quem não tem o que fazer. Falta de fé em Deus, pois o amanha pertence a Ele. Pra quê tu vai ficar pensando em coisas que nunca vai acontecer? Relaxa! Deixa de bobeira e para com essa neura. Deita e dorme. (É isso que a maioria das pessoas pensam).
Mas, quantas sabem como uma pessoa ansiosa se sente de verdade?
Poucas?
Pois, vou lhes contar como é frescura! É muita frescura deitar exausta na cama e não conseguir dormir porque o pensamento está acelerado bem como o seu coração. E um pessimismo alucinante te dominar achando que todos os seus temores se tornarão reais a qualquer momento. Acreditando de verdade que o seu maior pesadelo pode ser real a qualquer instante.
Ansiedade é lutar contra a sua própria mente para expulsar os pensamentos sufocantes e muitas vezes ser vencida por eles a ponto de perder os sentidos. Sim, quando a ansiedade chega no limite do pânico, você perde o controle do que é real e imaginário e seus medos te fazem sufocar, seus pulmões doem de tanto que você tenta fazê-los funcionar, pois eles parecem enrijecidos, o ar tem dificuldade de circular, por mais que você se esforce para isso. Daí, teu coração começa a acelerar e depois vai baixando os batimentos cardíacos, porque tua pressão arterial começa a cair e você já não escuta mais o barulho ao redor. E seus olhos já não enxergam o lugar onde está, porque o pânico te dominou. Você apaga! Desmaia! E quando acorda tem gente estranha ao seu lado, te olhando curiosa sem entender o porque de você ter passado mal.
Pouco a pouco, você começa a ouvir e ver tudo e constrangida se levanta e segue o seu caminho, se culpando pelo constrangimento de ter desmaiado de medo e ansiedade.
É! Você ainda se sente culpada por ter passado mal, afinal foi só coisa da sua cabeça. Até você acredita nisso, de tanto que as pessoas falam. E por vergonha de assumir o real motivo de seu desmaio, você muitas vezes mente para todos dizendo que foi uma queda de pressão porque não teve tempo de se alimentar direito no café. Mas, você sabe que não foi isso que te derrubou, não foi falta de alimento que te deixou fraca, mas a doença que você carrega silenciosamente, como quem tem um câncer em estágio final e opta por não se tratar por acreditar que o tratamento seria uma perda de tempo e causa de maior sofrimento.
SÓ QUE NÃO É UM CÂNCER EM ESTÁGIO FINAL é só a ansiedade e o pânico te roubando o direito de viver. Existe tratamentos para isso, é só querer. E o mais importante, acreditar que vai conseguir vencer! Parte da cura tá no tratamento a outra parte está em você buscá-lo!
Vamos se cuidar minha gente e mostrar pra essa gente que frescura e preguiça é o que eles possuem, pois não se dão ao trabalho de se informar sobre as doenças e suas sequelas, preferem como sempre julgar e apedrejar o que não entendem!
Abraços fraternos

Luciene Linhares
06 de Abril de 2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O GATILHO DA DEPRESSÃO



Antes de qualquer coisa, quero DEIXAR BEM CLARO QUE NÃO POSSUO QUALIFICAÇÃO ACADÊMICA PARA AVALIAR E TRATAR NINGUÉM!
Mas, quero compartilhar com vocês as minhas experiências sobre depressão e alguns outros transtornos psicológicos que tive no decorrer de minha vida e outros tantos que me acompanham até hoje.
A depressão ainda é um tabu na sociedade pelo fato de que muitos por desconhecerem este problema como uma doença tratável e controlável como tantas outras, preferem julgar e muitas vezes descriminar o indivíduo que já está mal, como doido, preguiçoso, mal agradecido e por aí vai...
Eu tive depressão e a grande maioria dos meus amigos sequer perceberam e os parentes mais íntimos, percebiam que havia alguma coisa errada, mas preferia ignorar ou julgar de alguma forma o que eles jamais poderiam supor que eu estava sentindo.
A depressão e devastadora, mas existe algo ainda pior de enfrentar, o julgamento de quem não entende o que nós sentimos.
Os mais religiosos julgam dizendo que você deve procurar Deus (não que isso seja errado), mas não é a falta de Deus que nos debilita, mas um conjunto de fatores físicos, biológicos e psicológicos.
Outros nos julgam ingratos porque invejam a nossa vida e ao olhar para o que possuímos não conseguem acreditar que estamos “tristes” mesmo estando “tão bem”, estas pessoas não conseguem enxergar que nós não conseguimos enxergar o valor do que possuímos naquele momento por motivos que citei acima e não porque somos pessoas terríveis, incapazes de reconhecer tudo que o universo nos proporciona.
Tenho muitos amigos que já tiveram ou que estão deprimidos no momento e conversando com eles percebi que todos possuem um gatilho: algo em especial que ativa a depressão. Este gatilho, ou motivo, quando acionado vem com força total e por mais que você seja uma pessoa inteligente e racional, você simplesmente não consegue se desconectar dos pensamentos doentios por ele disparados.
Quando minha filha caçula tinha dois anos, ela passou por uma fase de doenças infantis que a levaram a muitas internações, exames e muito sofrimento. Este foi e é o meu gatilho depressivo.
Por longos seis meses fiquei muitos dias direto com ela no hospital, ela era um bebê e eu uma mãe cuidadosa, eu cochilava sentada numa cadeira enquanto segurava o braço ou perna dela para que não perdesse a veia e ter que furar novamente, pois cada acesso perdido era um tormento para mim, talvez mais para mim do que para ela, pois a dor de um filho dilacera a alma de sua mãe.
Nesse período, médicos despreparados e sem humanidade me fizeram perder o chão ao dizer que suspeitavam que minha filha estava com câncer e que se no raio x desse um alargamento do mediastino, seria câncer. Eu fui buscar este exame em prantos, lembro que ao receber o exame eu tremia tanto e chorava que não tinha coragem de ver o  que estava lá, mas abri e ela não tinha nada, absolutamente nada, graças a divindade.
No período de internação eu conheci o melhor e o pior do ser humano, médicos desumanos e enfermeiros e acompanhantes que foram pra mim, mais do muitos de minha própria família. A generosidade, a compaixão e o amor são a base daqueles quartos por vezes tão tristes.
Na época não possuíamos plano e o foi o melhor plano de Deus pra mim, pois no plano ficamos em apartamentos reservados, entregues apenas a equipe do hospital, mas nas enfermarias do SUS eu conheci o que chega mais perto do amor fraterno, pois todos se ajudavam. Uma mãe ajudava a outra, uma mãe dava força pra outra e as que tinham um pouco mais, dividiam com as que não tinham. Eram uma só força, um grande elo de vibrações positivas em prol das crianças que ali estavam. Embora esta experiência tenha deixado profundas cicatrizes em minha alma, eu sou grata pelo privilégio de ter conhecido um lado do ser humano que é raro de se ver aqui fora, quando tudo está bem.
As noites nos hospitais são longas, frias e inquietantes. A porta fica sempre aberta e tem sempre uma criança ou outra chorando, uma medicação ou outra para ser injetada. Pacientes chegam, outros partem. Mas, jamais esquecerei o grito de uma mãe que perdeu seu filho, não tive coragem de ir visitar, pois foi no quarto ao lado, mas a ala inteira ouvia seus uivos de dor. Todas nós choramos, pois a dor dela também era nossa.
Com o tempo minha filha foi crescendo e descobrimos que ela graças a Deus não tinha nada! Era só o sistema imunológico baixo devido um abalo emocional, pois ela adoeceu quando eu voltei a estudar. Descobri isso quando estava em completo desespero, quando nada mais fazia sentido pra mim, porque eu acreditava que minha filha não iria sobreviver.
Eu parei de comer e emagreci 20 kg em seis meses, parei de dormir, tirava apenas cochilos com pesadelos. Parei de raciocinar sobre tudo ao meu redor, eu só pensava na minha filha e nas possíveis doenças dela.
Eu lembro de alguma coisas dessa época, outras se apagaram. Lembro que alguns amigos tentavam conversar comigo para me ajudar, mas eu simplesmente ouvia o que eles diziam, mas não conseguia racionalizar o que falavam. A mensagem ficava girando em meu cérebro sem fazer sentido algum.
Eu passei a odiar todas as atividades que antes gostava de fazer e nada absolutamente nada me dava prazer. Meu foco era a minha filha.
Eu fazia planos de suicídio caso ela viesse a morrer, porque nada mais importava.
Minha vida desmoronou. Eu fiquei precisando de cuidados, uma tia a quem amo demais ficava a maior parte do tempo comigo, no fundo eu acho que ela tinha medo que eu me matasse, então sempre achava um jeito de ficar ao meu lado. Ela orava por mim, chorava comigo e me incentivava a lutar contra aquilo que eu sentia.
Então, fui ao psiquiatra e falei para ele tudo que estou escrevendo para vocês agora. Ele conversou comigo por uma hora, era além de psiquiatra um ótimo psicanalista, conversamos e com o jeito manso de falar ele foi me explicando o que eu estava sentindo e mostrando que as coisas que eu estava pensando faziam parte da minha imaginação, que o meu medo era fruto do excesso de amor e que eu precisava trabalhar isso, mas me receitou antidepressivos, calmantes para que eu  pudesse dormir e vitaminas porque eu não estava me alimentando.
Fiquei indo uma vez por mês para a terapia e me apaixonei por este processo de cura pela conversa, motivo pelo qual estudo a psicanalise até hoje e pretendo ainda trabalhar com isto.
As medicações foram sendo retiradas pouco a pouco, no que ele chama de desmame, pois como são controladas e causam dependência, não podem ser suspensas de forma abrupta, pois causaria abstinência.
Superei a depressão com a terapia, a medicação e o amor de minha tia!
Ficaram algumas sequelas que contarei ao longo do blogue!
Abraços Fraternos,

Luciene Linhares

quarta-feira, 12 de abril de 2017

REMÉDIO DE DOIDO É OUTRO NO BLOGUE



O que fazer quando você não sabe o que fazer?
Não há clichê mais utilizado do que este para os dias de desânimo! Acredito que todos já passamos por isso, e não é fácil enxergar um caminho na névoa da desesperança.
Todos nós temos inúmeros talentos e afinidades, mas há momentos em que eles parecem não fazer sentido algum!
Porque você começa a se perguntar para quê o universo te concedeu tantos talentos se você não está fazendo uso deles nem para proveito próprio, muito menos para o próximo, pois acorde coleguinha, nada disso aqui é de graça!
Acredite! Tudo, absolutamente tudo que você possui de dons é para o bem comum, e isso não é conversa de doido que vê o mundo cor de rosa com brisas de borboletas lilás purpurina! Viemos para este mundo para aprendermos diversas lições e também para ensinar muitas outras.
Ninguém é absoluto que não possa acrescentar algo ou tão inútil que não posso contribuir com algo, nem que seja com uma decepção que fará o outro a aprender a viver de forma mais “ligada”.
Então, voltando para o início, nada mais justo do que vocês saberem porque este bendito blogue nasceu a esta hora da noite!
Então. 2, a minha pessoa descobriu que não vai poder participar do mestrado dos meus sonhos porque não há bolsas de estudo disponíveis  e com a minha condição financeira, duas filhas menores de idade e a total falta de controle emocional que tenho quando estou longe de minhas crias seria impossível ir sem elas e com elas sem verba não dá.
Eu poderia dizer que foi-se mais um sonho, mas eu prefiro dizer que chegará uma nova oportunidade ainda melhor, porque creio na força das coisas que nos cercam, apesar de nem sempre acontecerem como desejamos.
Vou continuar estudando sobre o assunto do mestrado, porque é uma paixão, mas vou dialogar com vocês sobre um tantão de coisas que permeiam este meu mundinho tão conturbado e às vezes triste.
Se tu curte gatos (de quatro patas, principalmente! Haha), livros, make, artesanato em geral e além de tudo isso tu já teve, tem ou tem algum amigo que tem depressão e transtornos de ansiedade e pânico, traz ele pra cá! Porque iremos conversar sobre tudo isso e mais um pouco!
O blogue tem essa proposta, mas estou completamente aberta a sugestões e críticas também, porque ninguém é perfeito! Rs.
Quero deixar claro que NÃO SOU ESPECIALISTA EM DEPRESSÃO, NÃO POSSUO CURSO DE PSICOLOGIA OU PSICANÁLISE, mas sou uma curiosa do assunto, afinal, é algo que de vez em quando teima em me atormentar!
Sejam bem vindos, afinal, dizem que remédio de doido é outro na porta, então no nosso caso, quem sabe remédio de doido é outro no blogue!
Abraço fraterno
Luciene Linhares

30 de Março de 2017

sábado, 18 de março de 2017

Depressão... ISTO TAMBÉM VAI PASSAR!



Depressão... ISTO TAMBÉM VAI PASSAR!



Eu já tive depressão, acreditem, não é algo fácil sequer de descrever, pois sentimos tanto e ao mesmo tempo não sentimos nada. Sentimos tantas dores e focamos tanto nelas que esquecemos os doces sabores que a vida proporciona através dos amigos e familiares que tentam desesperadamente nos erguer.
A força que nos puxa para o chão é tão forte que muitas vezes não nos permite sequer sair da cama, ficamos cegos, surdos e às vezes mudos. Nos isolamos e tudo que mais desejamos é simplesmente desaparecer, deixar de existir. A verdade é que não odiamos a vida, mas dor que nos dilacera e mata lentamente.
A dor da alma reflete no corpo, enfraquecendo-o e deixando-o cada vez mais propenso a desistir. Os motivos que nos conduzem a este labirinto infindável de dor é extremamente complexo, pois envolve desde distúrbios físicos, emocionais e espirituais.
Cada pessoa tem seu próprio gatilho para a depressão, algo que a faz surgir e se não houver socorro a tempo, isso evolui de forma devastadora.
Conheci uma moça muito jovem que entrou em estado depressivo e os pais buscaram ajuda espiritual para tentar curá-la, pessoas de diversas religiões visitaram a casa desta jovem com orações e rituais diversos, mas seu estado só piorava.
O que começou com um estado de tristeza, evoluiu para surtos violentos e aos poucos ela foi perdendo o contato com a realidade que a circundava. Quando finalmente os pais perceberam o erro cometido e a levaram para um tratamento médico, não havia mais volta, ela tinha perdido o contato com a realidade num surto que já dura muitos anos. Hoje ela vive em estado quase que vegetativo, sedada e sem reações, segue vivendo sem viver.
Não tiro de forma alguma o mérito das orações e rituais religiosos que buscam de sua forma trazer um pouco de paz para almas sedentas, mas devemos ter consciência de há por traz desta doença maldita, distúrbios biológicos que devem ser considerados e tratados convenientemente.
Resgatar uma pessoa do buraco da depressão não é fácil, mas ignorar a doença e tentar dar sermão dizendo que ela não tem motivos para ficar triste ou que a vida dela é maravilhosa e ela está sendo ingrata ficando infeliz é de uma insensibilidade e ignorância gigantesca.
Uma pessoa com depressão não precisa de sermões e julgamentos, pois ela mesma já faz este trabalho de forma abusiva e distorcida. Então, se ama alguém com depressão, acolha e faça-o sentir amado. Não julgue, entenda! Entenda que o que a pessoa sente é doloroso e verdadeiro para ela, mesmo que aos seus olhos seja apenas bobagem.
Aprenda a ouvir sem julgar.
Aprenda a ouvir sem falar (essa é a parte mais difícil, porque você com certeza vai discordar).
Aprenda a estar presente. (Você não faz ideia do quanto é reconfortante saber que alguém te entende e está do seu lado, mesmo que você esteja meio fora de si).
Abraçe! (Um abraço caloroso é um porto seguro para quem está perdido num mundo de sentimentos confusos).
Respeite a filosofia de vida do depressivo e em HIPÓTESE ALGUMA diga que ele tá triste porque não faz parte deste ou daquele grupo religioso.
RELIGIÃO NÃO CURA DEPRESSÃO! Acompanhamento terapêutico, psicológico e emocional, SIM!
A vida do depressivo é amarga, então sejamos doces para com eles. Tenham doçura nas palavras, nas ações e até na culinária (um bolinho de chocolate ou de laranja numa visita para o chá faz um bem danado).
Este texto é para dois amigos que perderam seus amores e se encontram em depressão!
Saibam que podem contar comigo, sei como se sentem e estou na torcida para vê-los florescer em breve, porque o inverno da alma não dura pra sempre, aguentemos firmes até a próxima primavera!
Abraço Fraterno
Luciene Linhares
18 de Março de 2017




segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A felicidade que você não possui




A felicidade que você não possui

Eu conheço algumas pessoas que fazem de suas redes sociais verdadeiros picadeiros de circos, palcos de uma peça interminável. Criam em seus perfis personagens que não consigo entender ao certo se é uma idealização ou uma forma ridícula de mostrar para o “outro” que está feliz a todo custo.
Dentre estas inúmeras pessoas que fazem uso das redes para mostrar o que não são, eu tive a oportunidade de ter uma conversa e perguntar o porquê de tantas frases e fotos que não condiziam com a realidade vivida a fundo e ela me falou que era para “os outros” verem que ela estava feliz.
Segundo ela, uma colega do trabalho implicava com ela e por esse motivo ela via a necessidade de SEMPRE estar bem na rede. Mesmo com tudo desabando, ela arrotava uma felicidade inexistente.
Gente, não é difícil de enxergar este tipo de comportamento nas redes sociais! Se você parar para prestar atenção em seus amigos virtuais verá que muitos não vivem, vegetam num mundo paralelo de mentiras e ilusões que conduzirão a uma solidão cada vez mais avassaladora.
Tem a galera do “felizes para sempre”, a galera do “pego mas, não me apego”, a galera da “família feliz de comercial de margarina” e a galera do “eu posso tudo que quero”. E por aí vai os personagens e seus espetáculos próprios e diários.
E ainda tem os sem noção que acham pouco dizer que tá “FELIZ”, então marcam todos os amigos que a paciência conseguir suportar no processo.
Poucos são os que conseguem manter o mínimo de sinceridade por trás da tela e menos ainda, os que se abstém deste vício de dar satisfação de tudo que faz ou deixa de fazer.
A começar pela moça que confidenciou o seu motivo de “expor uma felicidade que não sente na rede para atingir a colega de trabalho:
- Acorde! Viva para você! O fato de expor a vida que você não vive só a fará mais infeliz por ver que a realidade está cada vez mais distante da ilusão que você cria nas redes sociais. E provavelmente, sua colega de trabalho sabe mais de sua vida do que você pode imaginar, visto que suas reações e atitudes pessoais falam MUITO mais do que as mentiras lançadas.
Viver é uma tarefa simples para quem toma para si apenas o fardo de seus dias, mas se torna uma tortura infindável para quem vive para os outros.
A vida é única e NOSSA, absolutamente nossa, completamente nossa e de mais ninguém! E por este motivo devemos ter cuidado com quem a compartilhamos e o que compartilhamos.
Curta a vida e a compartilhe com os que você ama. Vivemos mais intensamente quando estamos off-line, longe da opinião alheia!

Luciene Linhares

09 de Janeiro de 2017

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Não cobre o que você não fornece!


As pessoas se acham no direito de exigir o que não doam, sentimentos são conquistas árduas, não presentes baratos ( no sentido figurativo e literal).

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

NÃO ABORTE O DIREITO DE UMA MULHER



NÃO ABORTE O DIREITO DE UMA MULHER

EU SOU A FAVOR DA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO!
Eu conheço a alma humana o suficiente para saber que esta minha afirmação irar levantar muitos questionamentos sobre quem sou e o que penso! E eu me importo com isso sim, mas corro o risco porque acredito que todos os meus textos são convites a um diálogo aberto e sem hipocrisias.
Sim! Eu tenho duas filhas!
Não! Eu não programei nenhuma das gestações!
E ambas me custaram um preço altíssimo! (É a partir deste ponto que convido a todos que se dispuserem a ler este texto, que o faço com o mínimo de bom senso e empatia).
Eu nasci num lar pobre, estudei em escolas públicas e com muito esforço, estudando em casa, consegui passar para uma boa Universidade. Junto com o resultado do vestibular veio o resultado de um exame de ultrassom para uma gravidez da qual eu não esperava.
Eu tinha ido sozinha ao consultório e quando o médico falou que eu estava grávida, fiquei em choque. Demorei um tempo para conseguir me mexer e sair da cama. Ele percebeu e pediu para a secretária trazer água e delicadamente perguntou se eu era casada e quando falei que não, ele sentou-se ao meu lado e tentou me dizer os riscos de um aborto e que o melhor que eu tinha a fazer era ter a criança.
Minha mãe era uma mulher muito dura, ela sempre nos acompanhou e sonhava para nós uma faculdade e um futuro melhor. Gravidez fora do casamento para ela, era o fim!
Eu estava desempregada, vivendo na casa de meus pais e sem a mínima condição psicológica de criar um filho, pois foi algo que NUNCA desejei.
Eu NUNCA desejei um filho, porque ao contrário do que muitas imaginam, uma criança requer inúmeros cuidados e abdicações. Eu sabia disso antes mesmo de ser mãe, porque eu observava as outras mães.
Até hoje não lembro como voltei para casa depois que sai do consultório, mas lembro que passei o resto da tarde dentro do meu quarto, imaginando o que fazer.
A noite, quando meu namorado chegou, conversamos e nos restava duas alternativas. O aborto ou enfrentar toda a situação para criar o filho que estava no meu ventre. Ele também tinha passado no vestibular e tinha outros planos para a sua vida, então, falou com uma enfermeira que ele conhecia e por 60 reais a mulher disse que conseguiria uma medicação suficiente para induzir ao aborto.
Novamente voltei para o meu quarto e ponderei os prós e os contra sobre o aborto, lembrei que há seis meses, a irmã de uma amiga tinha morrido devido uma hemorragia após utilizar a mesma medicação para aborto.
Decidi ter a criança, nos casamos no mês seguinte e tocamos nossas vidas com muita dificuldade.
Quando minha mãe soube ela ficou triste e com raiva de mim. Eu era citada como exemplo ruim para as outras: “Você não vai para a festa. Não vai fazer como a sua irmã...”
Ninguém quis faz ideia do quanto foi difícil abrir mão do sonho de fazer um curso superior para viver uma vida regrada e com muitas dificuldades.
Fizemos o filho JUNTOS, mas apenas A MINHA VIDA PAROU! O meu marido continuou trabalhando, terminou o curso na universidade e seguiu sem maiores obstáculos.
Eu fiquei em casa, lavando, passando, cozinhando e tomando conta de nossa filha.
Perdi as contas de quantas noites perdi cuidando dela. Foram noites inteiras, sentada ao lado do berço ou da cama, vigiando seu sono enquanto ardia em febre. Foram inúmeras idas e vindas ao médico.
A verdadeira dor é a dor de um filho, vê um filho sofrer é o pior sentimento que podemos suportar. Um acesso a um soro nos custa uma angústia sem tamanho. Quem é mãe, sabe do que estou falando.
Quando o filho cresce, vem outras preocupações e todas elas são geralmente jogadas para a mãe. Quando o filho vai mal na escola ou é mal educado na sociedade, logo, julgam a mãe. “Esta criatura não tem mãe?”
Eu amo profundamente as minhas filhas, mas assumo que paguei um preço alto demais por elas. Eu abri mão de muitos dos meus sonhos por elas. Tive que traçar novas rotas pra não me perder nesta vida.
Só quem pagou o meu preço, sabe do que estou falando, então, é muito triste ver tantos “discursos” hipócritas e machistas nas redes sociais atacando as mulheres que desejam ter o direito sobre o seu próprio corpo.
É mais ridículo e hipócrita ainda, ver que as próprias mulheres acusam a sua classe como única “culpada” de uma concepção “indesejada”!
As frases “se não quer ter filho, fecha as pernas” é uma aberração a inteligência!
Vocês realmente acham que a culpa é unicamente da mulher?
É muito fácil tocar um teclado para emanar ódio e julgamentos desnecessários, difícil é tocar uma alma com gentileza e empatia suficiente para tentar entender o que o outro está sentido, o que o fez decidir por um aborto, por exemplo!
Deixa eu passar uma real para você que é uma fiel defensora da vida que está no ventre: Esta “vida” é de inteira responsabilidade de quem a carrega e por este motivo cabe apenas a mesma decidir por levar ou não a gravidez até o final.
Mais uma real, só de brinde:
Nem todo mundo tem o mesmo conforto financeiro, psicológico ou familiar capacitado para receber de braços abertos uma gravidez indesejada!
Há pessoas que sequer possuem o que comer!
Há pessoas que possuem outros sonhos!
Há homens rudes que não usam preservativos!
Há mulheres com intolerância aos anticoncepcionais!
Há pessoas que não querem a responsabilidade de filhos!
Para fazer uma laqueadura a mulher precisa, entre muitos pré-requisitos, a assinatura do marido, autorizando o procedimento. (E todos nós sabemos que há homens que são cavalos e não autorizam o procedimento).
E todas elas fazem SEXO! E como todos nós sabemos, há a necessidade de um homem e uma mulher para que haja a concepção de um filho. Então, vos pergunto: Porque apenas as mulheres são responsabilizadas pela concepção?
Porque são tão julgadas por tentar obter um direito básico: o direito de decidir quanto ao seu próprio corpo?
Você que defende o direito a vida, poderia começar pela vida da mulher, que é a geradora da vida, dando-lhe o direito de dar vida apenas no momento em que se sentir preparada para isso!
Luciene Linhares

06 de Dezembro de 2016