segunda-feira, 8 de maio de 2017

Who you are? Quem é você? Ou quem você é?




Who you are? Quem é você? Ou quem você é?


Ouvindo a música “Who you are” de Jassie J. me veio a mente a mesma pergunta: “Afinal quem sou eu?”
Porque somos pressionados a nos rotular de todas as formas possíveis?
Porque todos exigem que tomemos para nós uma armadura de titânio com definições já programadas quando nossas almas são leves e mutáveis.
Insistem em definir desde o gosto musical que devemos ouvir em cada fase de nossa vida, até o momento “certo” para cada fase desta mesma vida que é tão breve?
A sociedade pré estabeleceu idades padrões para que o ser humano progrida na carreira, case-se, tenha filhos, cri-os e depois espere a morte chegar.
Mas, não somos robôs, não seguimos padrões. Pelo menos a grande maioria de nós não segue. Então, quando fugimos dos padrões, somos questionados, massacrados, apontados como objetos com defeito!
Perguntas como as que citarei a seguir são pautas nas reuniões familiares, em que o foco é depreciar o outro, minar a auto estima.
- Porque você ainda não casou, você já tem mais de trinta anos, o que há de errado com você?
- Não acredito que você vai abandonar a faculdade de medicina pra cursar história? Já pensou em consultar um psiquiatra, você deve estar com estresse ou algum outro distúrbio!
- Você não vai ter filhos? Mas, vocês já estão casados há mais de doze anos, já está passando do tempo de terem um filho!
- Vocês decidiram não terem filhos? Mas, quem vai cuidar de vocês na velhice? (Essa é a minha preferida! Como se ter uma penca de filhos fosse garantia de que você teria apoio e cuidados adequados na velhice, pois o que mais vemos hoje em dia são asilos lotados de velhinhos abandonados por seus “filhos amados”.).
As repostas para todas estas perguntas cabe a cada um de nós e nada, absolutamente nada, impede que mudemos de ideia e refaçamos nossos caminhos a qualquer momento.
Mas, a verdade mesmo, é que estas e tantas outras perguntas que nos fazem tentando nos enquadrar em padrões, será uma eterna incógnita até para nós, pois nunca conseguiremos nos definir e responder para os outros e para nós mesmos, quem somos nós.
E sabe por quê?
Porque somos adoravelmente MUTÁVEIS, MOLDÁVEIS E ADAPTÁVEIS.
Somos seres em eterna EVOLUÇÃO e por isso, e graças a isto, não podemos ou devemos nos definir com exatidão quem realmente somos, porque ainda estamos em construção.
Hoje eu sou esta pessoa que vos fala e neste exato momento está com a cabeça a mil, com inúmeros sonhos, metas e desejos. Mas, não sei se esta mesma pessoa acordará amanhã com os mesmos sentimentos. Porque até um simples sonhos durante a noite de hoje pode modificar o que pensei hoje, modificando assim, tudo que havia programado até agora.
Assim como uma simples palavra também poderá ser lançada em minha mente e germinar ideias e sentimentos totalmente diferentes dos que florescem agora.
No fundo a mudança é uma dádiva, principalmente para quem não vive um bom momento, pois traz com ela o conforto de que isto é passageiro e que logo, logo tudo vai passar e amanhã será um novo dia cheio de oportunidades.
A pessoa triste e desanimada de hoje, guarda em seu coração as sementes de dias melhores e elas germinarão, mesmo contra a vontade daqueles que acreditam que rótulos fazem pessoas serem melhores do que são.
E viva o amanhã, com seu convite a mudanças e novas oportunidades!
Não se enquadre, seja a obra de arte viva e vibrante que o universo te programou pra ser. Não importa a sua idade, viva o que sente ser!

Abraços fraternos,
Luciene Linhares

08 de Maio de 2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

INVEJA AMIGA...




INVEJA AMIGA...

A inveja é o maior atestado de incompetência que você poder dar para alguém, eu já falei disto em outra postagem, mas não custa nada repetir! Afinal, o que não falta é gente invejosa por todos os lados.
E não se enganem! Ela se esconde em todos os lugares, em todas as relações, seja na familiar, profissional e até nas amizades e relacionamentos mais íntimos como o  companheiro ou companheira.
Quando você menos espera, ela se apresenta, de mansinho, como quem não quer nada, com o que dizem ser apenas uma “crítica construtiva”, mas que ao analisar melhor você percebe claramente que aquela pessoa está “delicadamente” tentando minar sua autoestima, sua confiança em si própria e até mesmo a sua fé.
No curso que estou ministrando sobre relacionamentos, o que mais friso é: “NÃO CONTEM COISAS DA SUA VIDA PARA NINGUÉM. NÃO ESPALHEM SUA FELICIDADE OU INFELICIDADE NO AMBIENTE VIRTUAL OU DE TRABALHO. SE PRECISAR REALMENTE DESABAFAR, PROCURE UM AMIGO DE VERDADE. (E ATÉ ISTO É DIFÍCIL DE TER HOJE EM DIA, porque as relações estão cada vez mais superficiais e perigosas)”.
Eu conto nos dedos de uma única mão os amigos de verdade que possuo e que posso contar e mesmo assim, nem tudo conto para eles. Porque há coisas que são só nossas e devem permanecer assim.
Se você espalha que está feliz e bem e que as coisas estão dando certo para você agora, vai chover de gente mesquinha querendo diminuir a sua felicidade arranjando defeitos e possíveis contra tempo para tentar te fazer acreditar que você não é digno daquilo, ou que não está certo viver desta ou daquela forma. O que esta pessoa está realmente querendo dizer quando tenta te derrubar com críticas é que ela não é capaz de fazer o que você faz pra ser feliz como você é feliz nesse momento.
O erro não está em você ou nas suas atitudes, mas na incompetência da tua “amiga” que não aguenta de tanta inveja, então ela precisa destilar essa frustação de alguma forma em você, para quem sabe, te ver na mesma que ela ou pior.
Isto não deixa de ser um sentimento doentio e triste para quem o nutre. SIM, falei NUTRE, porque a inveja é um sentimento que é nutrido pela pessoa que o sente. Essa energia toda que o invejoso tem para sair por aí falando mal e dando opinião onde não é pedida, pode muito bem ser direcionada para construir uma realidade diferente da qual ele não está feliz.
Passei recentemente por uma situação constrangedora em que tudo que eu postava no Facebook, uma determinada “amiga” vinha e fazia comentários agressivos e às vezes até vulgares, insinuando que eu estava colocando indiretas para ela. Dois grandes detalhes devem ser observados nesta questão: O PRIMEIRO – Eu sou ESCOPIANA, nordestina e sangue quente, ou seja, quando eu quero dizer umas verdades, vou direto pra pessoa e falo. O SEGUNDO DETALHE – Eu só lembrava que essa pessoa existia quando ela entrava no meu Facebook com as críticas infundadas dela.
O primeiro comentário ela fez numa madrugada e de manhã quando acessei a rede eu mal podia acreditar que “aquela pessoa “tão educada”” tinha se rebaixado a esse nível de ignorância e burrice. Então, como ser humano, obviamente eu tive vontade de entrar no privado e rebaixar geral, expondo pra ela os defeitos que ela tinha e que por educação eu nunca tinha dito. Então, respirei fundo e racionalizei! Vi que havia outras maneiras de atingi-la sem ferir o quanto merecia, mas colocando-a em seu devido lugar, ou seja, longe da minha vida! Respondi o comentário agressivo primeiro com um “Bom dia”, depois pedi desculpas se de alguma forma a havia atingido com a minha postagem, pois esta nunca foi a minha real intenção, visto que nem lembrava que a tinha no meu Facebook, logo, não poderia mandar indireta para alguém que nem lembro. Fiz aquele textão longo e no maior requinte de educação que um ser pode suportar e assim, não só desarmei a invejosa, como a tirei do meu pé de uma vez por todas.
A educação e a gentileza derrubam qualquer imbecil ignorante, acreditem!
Outro conselho que dou para meus alunos é (NUNCA DÊ SUA OPINIÃO SE NÃO FOR SOLICITADA). Não importa o que esteja pensando a respeito, se não tiver nada de bom a acrescentar, presentei a pessoa com o seu SILÊNCIO. Isso é mais que suficiente pra fazer do mundo um lugar bem melhor.
E pra finalizar esta crônica, deixo a mensagem que recebi no grupo de estudos que participo:
“Ninguém precisa apagar a luz do vizinho para ILUMINAR a própria casa.” (Chico Xavier).

Abraços fraternos,
Luciene Linhares

03 de Maio de 2017

domingo, 30 de abril de 2017

A DIFERENÇA ENTRE SER MÃE E PARIR



A DIFERENÇA ENTRE SER MÃE E PARIR

Quando alguém chega perto de mim e fala que está grávida, eu não consigo sorrir e dizer: “Nossa! Parabéns! Que felicidade!”.
Lamento, mas meu nível de falsidade e hipocrisia não chega nesse nível! Eu juro que tento ser simpática ao extremo e segurar um monte de coisas que me passam pela cabeça no momento, então, no máximo eu falo: “Que Deus a abençoe e que venha com saúde!”. (Falo isso fazendo uma careta e levantando a sobrancelha. Como eu sei disso? Porque minha própria filha diz depois! (Mamãe, tu tava com cara de nojo de novo! Deu pra perceber!)).
Aí, você, que não tem filhos e que acha esse mundo de bebes e maternidade uma coisa linda, colorida e fofa, deve estar pensando agora: “Essa nojenta é uma coração de pedra! Uma safada que não tem amor por ninguém! Uma mulher sem sentimentos que não sabe o “valor” da maternidade!
Colega, EU SEI O REAL VALOR DA MATERNIDADE!
Porque para que a MATERNIDADE exista, parte da MULHER tem que morrer pra dar vida a MÃE!
E é nesse exato momento que as “amáveis defensoras da maternidade” CORREM. Simplesmente pulam fora, sabe?
Porque ser MÃE não é parir, colegas! Ser mãe é abrir mão de sua vida para adaptá-la ao ser que você trouxe ao mundo. E aí o bicho pega!
E as “adoráveis” “mamães” de ensaios fotográficos e declarações de amor verdadeiro, se veem numa realidade totalmente diferente do que imaginaram um dia!
Vou citar alguns desses breves momentos aqui para terem só uma pequena idéia...
Se for um parto “normal” (porque eu já assisti e aquilo não parece normal nem em outro planeta), a mulher vai sofrer dores que jamais sentiu e vai parir, muitas vezes sendo cortada e costurada. Seu corpo e seios estarão inchados e doloridos e ela mal vai poder sentar-se por alguns dias.
Se for uma cesariana, você voltará para casa parecendo que engoliu um balão de tão inchada. Sentirá dores até para respirar e andará meio que curvada por alguns dias, pelo peso dos seios que também estarão inchados e doloridos como também pelo corte na barriga que dói toda vez que você tenta andar ereta.
Em ambos os casos citados acima, tem ainda de brinde o “defecar”, você não sabe como é ficar com intestino preso e não poder fazer força porque está toda costurada ao mesmo tempo em que o organismo precisa expelir o que tá dentro... A primeira cagada depois desse processo é motivo de choro e alegria, porque dói pra lascar, mas é um alívio imenso quando sai.
Tudo dando certo, volta pra casa com seu bebe, que vai dormir tranquilamente por quase todo o dia, ficando acordado por quase toda a noite, e chorando por inúmeros motivos dos quais nunca saberemos ao certo, mas que tentaremos consolar com todas as nossas forças. E muitas vezes choraremos com eles, pelas dores do parto e também pelas dores deles.
O tempo vai passar ele vai crescer e vai requerer cada vez mais sua atenção. Ir ao banheiro é uma tarefa da qual você fará com companhia constante, atire a primeira pedra quem não levava o carrinho de bebe para a porta do banheiro pra ficar de olho no filhote.
Coisas como estudar e trabalhar? Você até pode continuar fazendo, se tiver quem tome conta do seu filho pra você.
Mas, tomando uma boa dose de REALIDADE, uma pessoa de baixa renda não tem condições de pagar uma babá e nem todo mundo tem a sorte de ter alguém de confiança para tomar conta do seu filho pra você.
Então, por alguns ANOS você ficará em casa tomando conta do seu filho. CRIANDO-O, EDUCANDO-O E AMANDO-O, isso é MATERNIDADE.
MATERNIDADE tem um preço muito alto! Dependendo da mulher, custa-lhe muito abrir mão dos seus planos, dos seus sonhos e da vida que possuía antes. É um desafio realinhar a vida em outros trilhos. Uma verdadeira MÃE é uma FÊNIX que ressurge das cinzas com o crescimento de seus filhos. Porque, mesmo abrindo mão da vida que possuía, ela encontra esperança, fé e coragem de sonhar outros sonhos e renasce das cinzas do que foi para o brilho de uma nova vida.
Agora PARIR é carregar uma criança no ventre pelo tempo determinado para seu nascimento e depois disto, jogar toda a responsabilidade de CRIAR para outra pessoa, que em muitos casos é a avó ou tias. Isso não é ser mãe, isso é PARIR. Porque muitas mulheres se gabam de serem mães pelo simples fato de carregar no ventre e parir, sendo que depois disso, suas vidas continuam. Seus sonhos, carreiras e relacionamentos continuam, como se nada houvesse acontecido. Não há laços maternos, não são mães, são genitoras.
Então é muito fácil criticar uma mãe que está sobrecarregada, triste e perdida por ter optado por carregar o fardo da maternidade, quando você sequer sabe o peso que é SER MÃE.
Aprendam uma coisa: Uma MÃE que não gosta da MATERNIDADE, NÃO é uma mãe que não AMA SEUS FILHOS. Como ser humano e mulher ela tem todo direito do mundo de não gostar de carregar um fardo tão pesado e sozinha, (porque muitos GENITORES estão presentes apenas na hora de fazer a criança) mas na hora de criar e educar de verdade, é A MÃE que está lá.
Eu não gosto da MATERNIDADE, porque ela me custou muito. Mas, AMO IMENSAMENTE MINHAS FILHAS, e não há prova maior de amor por elas do que ser a MÃE delas, porque eu poderia ter optado por apenas PARIR e continuar com minha vida, mas optei por cria-las, amando-as e renascendo com o crescimento e desenvolvimento delas.
Ps.: A Fênix é uma ave da mitologia grega que ao morrer, entrava em autocombustão e com o passar do tempo, renascia de suas próprias cinzas. Uma belíssima ave com plumagem de fogo. Outra característica da Fênix era que segundo os gregos, ela podia transportar cargas muito pesadas como elefantes, embora seu tamanho fosse um pouco maior que o de uma águia.
Abraço Fraterno,
Luciene Linhares

30 de Abril de 2017

segunda-feira, 24 de abril de 2017

DEPRESSÃO É FALTA DE DEUS (SÓ QUE NÃO)



DEPRESSÃO É FALTA DE DEUS (SÓ QUE NÃO)

Existem muitas coisas que uma pessoa com depressão odeia ouvir, mas esta é uma das piores! Eu sei, porque já ouvi e já perdi uma amiga por causa de julgamentos ridículos como este.
Antes de ter a uma crise de depressão profunda eu presenciei uma amiga na mesma situação, ela era de família católica e por motivos que eu desconheço, ela começou a se isolar e modificar de forma muito brusca o seu comportamento.
Ela começou a detestar pessoas que antes ela gostava muito, passou a não cuidar da própria aparência, um banho era motivo para interseção da mãe e muitas discussões. Seu apetite ao contrário do meu aumento e rapidamente ela praticamente dobrou de peso.
A família não entendia o porquê de tudo aquilo com a filha, mas como católicos praticantes começaram a ampliar o número de novenas e terços realizados em casa. E a filha piorando, não queria ficar na presença dos familiares, muito menos das pessoas que vinham para as sessões de reza em prol de sua “cura”.
Depois de muita reza de terço, perceberam que o quadro só se agravava, então, buscaram a ajuda dos evangélicos que vieram com a melhor das intenções, com Bíblias nas mãos eles oravam para que os espíritos malignos saíssem da vida daquela jovem e que ela pudesse ser feliz novamente. Numa dessas ocasiões, a jovem teve seu primeiro acesso de raiva e expulsou a todos da casa com todos os palavrões do dicionário de putaria...
Então, acharam que a coisa era mais séria e que um espírita poderia resolver o caso, e mais uma vez a equipe de resgate espiritual foi expulsa.
Todos diziam para os pais da jovem e para ela que era falta de Deus na vida dela, eles não conseguiam enxergar o quanto isso era prejudicial para a mesma, que ouvia os comentários sobre sua pessoa como se não estivesse lá. E aos poucos ela foi-se de verdade...
Ela se isolou dentro dela mesma, não falava ou interagia com mais ninguém. Entregou-se a sua tristeza e finalmente a família a levou para um psiquiatra, que a diagnosticou com depressão profunda, mas o quadro já tinha se agravado demais em tentativas vazias de buscas religiosas. Ela surtou e nunca mais voltou a ser nem a sombra do que foi um dia. As medicações a fazem dormir, mas não a trazem de volta a vida. Ela vegeta em seu próprio corpo. Minha amiga se foi, permanecendo aqui numa alma sem vida! Tudo porque acharam que ela não tinha Deus, quando na verdade, ela estava apenas doente, precisava de médicos e tratamento adequado, as rezas seriam bem vindas, se enxergassem que a depressão é uma DOENÇA e não falta de Deus!
Abraço fraterno,
Luciene Linhares

24 de Abril de 2017  

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Quem sou eu...


Boa noite, gente!
Essa sou eu! Haha
Sou comunicóloga, mãe de duas meninas, gaitera de paixão, e futura Psicológa! 
As crônicas e textos contidos nesta página e também no blogue são escritas por mim. 
No início quando comecei a escrever eu tinha vergonha de assinar meus textos, então lembrei das conversas com minha avó, quando ela contava algo pra nós, mas não queria dizer de onde vinha a conversa, então dizia: "Foi um passarinho que me contou!". Então, eu achei melhor ser o passarinho de minha avó, mas com o tempo e algumas situações que fui vivenciando, achei melhor dar nome e sobrenome ao passarinho, ou melhor, a passarinha que vos fala!
Meu nome é Luciene Linhares e o conversa de passarinho irá de agora em diante alçar novos voos! 
Saibam que é uma alegria ter cada um de vocês aqui na página e no blogue! 
Nem sempre o que escrevo agrada a todos, o que não é novidade, pois pensamos e sentimos o mundo de forma diferente, mas o mais importante é que sempre possamos manter o respeito ao outro!
Mudanças irão ocorrer de agora em diante no conteúdo, mas sugestões e críticas serão bem vidas, pois através delas é que crescemos!
Abraços fraternos!
Luciene Linhares

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sequelas da depressão




Quando passamos por atendimento adequado e o nosso organismo finalmente começa a se restabelecer da depressão, começamos a enxergar as coisas mais claramente.
Conseguimos enxergar que muito do que vivemos naqueles dias não parece nos pertencer mais, conseguimos finalmente olhar no espelho de nossa alma e identificar que existe um ser humano ali, com falhas e virtudes, mas com muita vontade de viver.
Enxergamos as pessoas que estiveram ao nosso lado e também as que estiveram ao nosso lado sem estar de fato. A vida ganha mais sentido e o clichê de que nos tornamos mais fortes é respaldado pelo fato que conseguimos visualizar o que nos faz bem e o que nos faz mal. Quem agrega e quem diminui o que há de bom em nós. E com isso, ganhamos uma certa imunidade para batalhar no próximo combate.
A parte mais triste para um depressivo é o julgamento da sociedade, dos amigos e da família, que não conseguem entender a dimensão da dor que sentimos e preferem nos chamar de doido, preguiçoso, indeciso e tantos outros nomes pejorativos que em nada contribui.
Quando alguém adoece com pneumonia e fica acamado com febre, dores pelo corpo, falta de apetite e dificuldade para respirar todos se compadecem e correm para socorrer da melhor forma possível. Nós depressivos sentimos tudo isso e muito mais, sentimos a angustia de continuar vivendo quando nossa maior vontade é apenas dormir e não acordar mais. Mas, ninguém nos enxerga como pessoas doentes e muito carecidas de ajuda.
“NÃO ACORDAR MAIS!” É um clássico na depressão, talvez este seja um dos únicos desejos que restam na vida de quem não vê mais graça na vida: Apenas dormir e nunca mais acordar.
Porque ao acordar o mundo parece pesado demais para se carregar, seu peso é tão intenso que nos curva até a alma. Dói levantar, porque sabemos que nada mudou. Continuamos vivos e com os mesmos fantasmas que afligem nossa alma. Nossa dor é lacerante e dormir é um anestésico fabuloso para quem consegue este presente, pois em muitos casos a insônia é a companheira do depressivo. Ela está ali firme e forte por noites a fio, sugando cada gota de vontade de viver que ainda resta. Alimentando a mente já exausta de tantos pensamentos ruins de pensamentos ainda piores.
O dia amanhece, o despertador toca e você não sabe ao certo se dormiu ou mesmo se ainda vive de tão exausto que está, mas a vida continua, você tá só com “frescura”, nada mais que isso. Então, você junta o restinho de forças que tem, quando dá, toma um banho e mal penteia o cabelo. Coloca a primeira roupa que encontrar na bagunça que é o seu quarto e sai com um sorriso triste nos lábios.
Cumprimenta os amigos, tenta explicar a magreza ou gordura excessiva dos últimos meses, sorri para as piadas sem graça e finge viver por mais um dia. Quando alguém especial que realmente se importa com você te pergunta o que está acontecendo, você sorri e diz que é cansaço e que o trabalho tá te matando, porque você não quer preocupar aquela pessoa especial.
Os demais só perguntam por curiosidade e para dar as receitas milagrosas de felicidade absoluta que só serviria para você, porque vamos combinar, gente sem noção tem a solução para todos os problemas do universo, mas não conseguem resolver um problema com o marido em casa.
A depressão, meu caro combatente, é uma luta diária, na qual algumas vezes seremos fortes o bastante para não ser atingido e em outras ocasiões o inimigo pode nos pegar de forma vulnerável e nos atingir em cheio. Então, é necessário vigiar e porque não, orar! E quando atingido, buscar socorro urgente, pois quanto mais rápido for tratado, menos sequelas teremos.
Eu demorei muito para buscar ajuda, fiquei com síndrome do pânico e ansiedade. Dois distúrbios que debilitam e paralisam a vida de uma pessoa se não for tratada também.
“Ansiedade é frescura”, coisa de quem não tem o que fazer. Falta de fé em Deus, pois o amanha pertence a Ele. Pra quê tu vai ficar pensando em coisas que nunca vai acontecer? Relaxa! Deixa de bobeira e para com essa neura. Deita e dorme. (É isso que a maioria das pessoas pensam).
Mas, quantas sabem como uma pessoa ansiosa se sente de verdade?
Poucas?
Pois, vou lhes contar como é frescura! É muita frescura deitar exausta na cama e não conseguir dormir porque o pensamento está acelerado bem como o seu coração. E um pessimismo alucinante te dominar achando que todos os seus temores se tornarão reais a qualquer momento. Acreditando de verdade que o seu maior pesadelo pode ser real a qualquer instante.
Ansiedade é lutar contra a sua própria mente para expulsar os pensamentos sufocantes e muitas vezes ser vencida por eles a ponto de perder os sentidos. Sim, quando a ansiedade chega no limite do pânico, você perde o controle do que é real e imaginário e seus medos te fazem sufocar, seus pulmões doem de tanto que você tenta fazê-los funcionar, pois eles parecem enrijecidos, o ar tem dificuldade de circular, por mais que você se esforce para isso. Daí, teu coração começa a acelerar e depois vai baixando os batimentos cardíacos, porque tua pressão arterial começa a cair e você já não escuta mais o barulho ao redor. E seus olhos já não enxergam o lugar onde está, porque o pânico te dominou. Você apaga! Desmaia! E quando acorda tem gente estranha ao seu lado, te olhando curiosa sem entender o porque de você ter passado mal.
Pouco a pouco, você começa a ouvir e ver tudo e constrangida se levanta e segue o seu caminho, se culpando pelo constrangimento de ter desmaiado de medo e ansiedade.
É! Você ainda se sente culpada por ter passado mal, afinal foi só coisa da sua cabeça. Até você acredita nisso, de tanto que as pessoas falam. E por vergonha de assumir o real motivo de seu desmaio, você muitas vezes mente para todos dizendo que foi uma queda de pressão porque não teve tempo de se alimentar direito no café. Mas, você sabe que não foi isso que te derrubou, não foi falta de alimento que te deixou fraca, mas a doença que você carrega silenciosamente, como quem tem um câncer em estágio final e opta por não se tratar por acreditar que o tratamento seria uma perda de tempo e causa de maior sofrimento.
SÓ QUE NÃO É UM CÂNCER EM ESTÁGIO FINAL é só a ansiedade e o pânico te roubando o direito de viver. Existe tratamentos para isso, é só querer. E o mais importante, acreditar que vai conseguir vencer! Parte da cura tá no tratamento a outra parte está em você buscá-lo!
Vamos se cuidar minha gente e mostrar pra essa gente que frescura e preguiça é o que eles possuem, pois não se dão ao trabalho de se informar sobre as doenças e suas sequelas, preferem como sempre julgar e apedrejar o que não entendem!
Abraços fraternos

Luciene Linhares
06 de Abril de 2017