terça-feira, 31 de maio de 2016

Quantas Adelaides serão mortas por falta de amor?


Quantas Adelaides serão mortas por falta de amor?

Tá rolando pela internet um pedido de socorro para uma esta cadelinha chamada Adelaide. A história que contam é a seguinte:
Adelaide, como tantos outros animais, foi abandonada na rua. Ela é uma cadelinha dócil e adora ficar nas praças e numa escola da cidade de Monte Horebe , região de Cajazeiras (cidade do interior do sertão, tão quente quanto as labaredas flamejante do inferno), até aí tudo bem, não fosse o gosto duvidoso de Adelaide por missas! Isso mesmo que você leu! Adelaide não perde uma missa na catedral e aí é que o bicho pega, pois segundo relatos da pessoa que alimenta a cadelinha, o padre responsável pela paróquia não tá gostando nada da nova beata.
Segundo o relato da moça, o padre Mendes, como é mais conhecido, afirma que a cadelinha não perde uma missa e que fica com “as pernas abertas de frente para o altar” além de ser muito fedorenta. Isto o incomoda bastante, a ponto “representante de “deus”” exigir da moça que alimenta a cadela que resolvesse o caso imediatamente, o padre falou até em sacrificar a cadelinha!
O padre Mendes deve ser um homem muito ocupado, tão ocupado que não deve saber o quão imoral e podre são os escândalos envolvendo padres pedófilos (não que eu o esteja acusando, apenas alertando-o que há coisas bem mais imorais que uma cadelinha de pernas abertas para o altar.).
Ele também deve ter esquecido as lições que o próprio Jesus ensinou, que era o amor, a caridade e a benevolência! Aliás, não só ele esqueceu essas lições, mas toda a comunidade que o cerca e frequenta a missa junto com Adelaide! Pobre Adelaide! Será que só ela presta atenção as lições bíblicas que são balbuciadas em vão? É uma pergunta que me faço neste momento!
Porque se mais alguém estiver de fato OUVINDO o que se é pregado, se é que estão pregando a palavra do deus que eles dizem crer, saberão que o amor é o principio de tudo.
Uma cadela é uma criatura do “deus” que eles dizem cultuar. E até onde me consta, (pasmem, eu li a bíblia) não há na bíblia um trecho que autorize o abate de uma cadelinha de rua num templo qualquer.
Mas, ainda vou seguir por outra ótica, que provavelmente será usada como defesa do “bem geral da população”, o padre Mendes também alegou que a cachorra suja a igreja (discordo que essa seja a maior sujeira existente no lugar, mas...), que fica se coçando o tempo todo e que as crianças brincam com ela, correndo assim, o risco de pegar doença. Beleza, argumentos bem estruturados. MAS, eu novamente volto a questionar: ONDE ESTÁ A CARIDADE DESSA COMUNIDADE?
Será que nessa comunidade NINGUÉM pode acolher, tratar e cuidar da cadelinha? É mais fácil sacrificá-la?
A própria igreja não poderia fazer um mutirão (tirando um pouco do DINHEIRO que é arrecadado para tratar a cachorrinha), tratando e depois arrumando um lar pra ela?
Eu conheço um pouco destas comunidades e sei que muitos possuem pequenos sítios e que teriam como acolher um animal assim se houvesse boa vontade e amor, coisa que anda mais escasso que a água no sertão.
O mais triste nisto tudo é ver que uma pessoa que “é líder”, conduzir uma situação simples e corriqueira com tanta falta de sensibilidade e amor.
Mas, é só uma cachorrinha...
...revelando o caráter humano por trás das religiões!

Luciene Linhares
31 de Maio de 2016


segunda-feira, 23 de maio de 2016

O diabo que é você


O diabo que é você

Há alguns dias abandonaram um cachorro adulto na rua em que moro, lindo e dócil ele vaga de um lado para o outro da rua, inocentemente arriscando a sua vida, visto que a rua é muito movimentada. O cachorrinho é marrom, por isso nós o chamamos de Chocolate.
Quando Chocolate apareceu, tinha uma coleira, o que nos leva a crer que obviamente tinha um dono, hoje fiz algumas fotos dele e postei no Facebook, para ver se o dono aparece, infelizmente, acho que ele foi abandonado, mas manter a esperança, é muitas vezes, tudo que possuímos.
Pela manhã um carro quase o matou e eu fiquei ainda mais preocupada e triste pela situação. Meu lado mais sombrio acredita que ele foi abandonado e não dá pra ser boazinha o bastante para perdoar este tipo de coisa, me perdoe se for capaz, mas acho que as pessoas não merecem perdão, elas merecem colher exatamente o que semeiam.
E o que eu desejo para a pessoa que abandonou Chocolate é que ela experimente na vida dela, todos os dissabores que faz o animal passar! (se o abandono for a causa dele estar na rua).
Vou aproveitar a deixa para dar minha opinião (o bom e velho pitaco, como diria minha avó) sobre outra questão ridícula que vejo não só nas redes sociais, mas nas conversas em geral.
Se você é uma pessoa mau caráter e ruim, não culpe a Deus ou ao diabo pelo mal que virá a te acometer!
Outro dia li uma reportagem de um pequeno jornal da cidade de Picuí que dois bandidos invadiram a casa de um IDOSA num pequeno sítio, agredindo-a em busca de dinheiro e como a coitada não possuía o dinheiro que eles acreditavam ter, iniciaram uma discussão que culminou na morte de um deles que recebeu um tiro no peito, falecendo no local.
O comparsa que atirou fugiu do local e nas redes sociais poucas foram as manifestações em prol da idosa. Todos estavam com muita “peninha” do “pobre” jovem rico e bonito que havia morrido com um tiro no peito! Alguns até acusavam Deus pelo assassinato! (Pasmem) Dizendo que foi Deus que quis assim!
Particularmente não acredito que exista um Deus assassino assim, mas creio na ignorância humana que busca sempre um culpado para os seus próprios erros. Quando eles não culpam a Deus pelas tragédias, dizendo que é da vontade dele que aquilo se cumpra, eles dizem que foi o diabo que incentivou a pessoa a fazer o mal, mas que no fundo a pessoa é boa! (Fala sério!)
Pra não dizer que não acredito que há influência maléfica, eu vou argumentar novamente: Beleza! Há sim influência de demônios que auxiliam para que o mal aconteça, MAS, para que esta influência seja sentida, é necessário que a pessoa abra espaço em sua vida para que o mal entre! BINGO! ... Ou seja, a culpa continua sendo sua se você abre espaço na sua vida para que o mal habite.
É como uma pessoa que não tem coragem suficiente para falar e fazer tudo que tem vontade estando sóbrio, então, premeditadamente se aproveita do álcool como subterfúgio para agir da forma que realmente quer ou sente. E depois, quando a merda tá feita, vem com o papo de que não se lembra e que agiu daquela forma porque o álcool o dominou.
Eu não acredito neste tipo de justificativa! Fez o que fez, porque quis! Fez porque era isso que havia em sua índole.
O demônio não transforma as pessoas, ele apenas traz para fora o que elas realmente são por dentro.
Achar um culpado é sempre mais fácil do que assumir a culpa!
Luciene Linhares
23 de Maio de 2016




Receita da felicidade



Receita da felicidade

Outro dia eu li a seguinte frase de Carl Jung: “O sapato que se ajusta a um homem aperta o outro; não há nada para a vida que funcione em todos os casos.” E no mesmo instante, eu lembrei de conversas que tive com três amigas íntimas, que sempre desabafam comigo os seus problemas corriqueiros. Cada uma com problemas diferentes, e eu como toda boa amiga, sempre tinha um “pitaco” para cada uma delas, quem é amiga de verdade, sabe do que estou falando, a gente acaba sentido as dores das nossas amigas e acaba achando que pode resolver tudo para elas a luz nada brilhante do nosso ponto de vista, mas isto é um erro gigantesco.
Nossas opiniões estão baseadas em nossa própria vivência e o que daria certo para mim, jamais daria para qualquer uma de minhas amigas. Isto, sem falar que eu não consigo resolver os meus próprios problemas, como ouso ficar tentando resolver os dos outros. Coisas de gente doida mesmo!
Em um dos casos, a pessoa não gosta de estudar e eu ficava muito no pé dela por causa disso, mas isso se deve a criação que tive, minha mãe sempre valorizou demais o estudo, mas a minha amiga é feliz do jeito dela. Mesmo sem estudar o quanto “eu queria” que ela estudasse, ela tem seu emprego, sua vida e sua harmonia particular, do jeito dela, e no fundo, mesmo sem que ela perceba, ela é feliz, porque há paz em seu lar.
A outra amiga é o contrário desta, ela é muito estudiosa e corre atrás de um concurso público que conceda-lhe estabilidade financeira suficiente para uma vida de conforto, mesmo que para isso ela não morra de amores pelo emprego, o que ela quer mesmo é a “estabilidade financeira”, é louvável o caminho que escolheu para ter sucesso financeiro, há pessoas que buscam caminhos bem mais rápidos e terríveis, mas sobre minha ótica, este plano não daria certo, pois sou muito passional. Não consigo me ver presa num emprego apenas pelo dinheiro, gosto de liberdade, sou muito temperamental, então, fico pensando e se eu tivesse um emprego federal, por exemplo, no qual meu chefe fosse um arroto de bêbado? Será que eu aguentaria? Claro, que não! Quem me conhece sabe que sou estourada e ignorante como casa de maribondo e se mexer comigo o bicho pega!
Mas, para a minha amiga que tem o temperamento mais brando que o meu, este emprego serviria e a faria feliz, porque é isto que ela almeja para a vida dela.
A terceira amiga que sempre conversa comigo, possui um relacionamento complicado, mas eu também não sou a melhor pessoa para falar sobre isso, afinal relacionamentos são complicados por si só. Então, não cabe a mim, dizer como agir ou o que dizer, ela deve agir de acordo com o que está sentindo naquele momento, pois as dores são delas e não minhas, então só ela pode agir no momento que achar oportuno.
No inicio eu confesso que ficava com raiva por ela e ajudava a xingar o “filhote de cruz credo”, mas depois percebi meu erro e mesmo contra meus maiores instintos “arengueirísticos” eu fico calada e no máximo, se ela insistir muito por uma opinião eu respiro fundo e falo: - É complicado! ...
Para os relacionamentos eu sempre tenho em mente uma frase que, uma bruxa amiga minha falou num dia em que eu cheguei chorosa reclamando do meu relacionamento: “Não reclame daquilo que você permite.” Ela fechou com chave de ouro as minhas lamúrias, então hoje eu me seguro muito pra não dar nenhuma opinião sobre os relacionamentos pessoais das minhas amigas, pois sei que são frutos das escolhas delas, elas se permitem viver como vivem e cabe apenas a elas, fazerem novas escolhas.
E assim me excluo de falar o que não devo, afinal, a vida é realmente COMPLICADA e exclusiva de cada um de nós.
Luciene Linhares

08 de Maio de 2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Casa de Vó



Casa de Vó
Eu sou completamente apaixonada pelo campo, o cheiro do mato, o som sossegado dos pássaros e do vento acalma minha alma. Isto sem falar na simplicidade e bondade e generosidade que muitos habitantes destes lugares isolados possuem.
Já visitei casinhas tão pequenas que nos obrigava a ficarmos o mais próximo possível um do outro (talvez este seja um dos ingredientes do amor, hoje em dia possuímos casas cada vez maiores com pessoas cada vez mais infelizes e distantes emocionalmente). Casinhas de pau a pique que possuíam o mínimo de mobília e o máximo de amor, pois tudo era cuidadosamente limpo e organizado.
Casinhas de barro com muitas flores na passarela, uma velha árvore fazendo sombra pra um cão vira-lata descansar, um luxo só! Sim! Eu falei LUXO porque seus moradores possuem valores e sentimentos que nos dias de hoje são preciosos e raros, é um LUXO enxergar na simplicidade a verdadeira felicidade e ter a coragem de vivencia-la em sua plenitude!
Eu tive a imensa felicidade de conhecer esse mundo simples e feliz nas inúmeras férias que passei na casa dos meus avós maternos. Eles eram moradores de um sítio numa cidade que fica a 120 km de onde moro e desde muito pequena eu ia frequentemente para lá com minha mãe. Aos cinco anos de idade fiz minha primeira viagem sozinha, lembro que minha mãe combinou o horário exato para que meu avô fosse me pegar na cidade e recomendou ao motorista que não me deixasse descer antes!
Lembro-me vagamente da viagem em sim, talvez porque era muito pequena, talvez porque estivesse amedrontada demais para apreciar a paisagem. Eu ficava com medo de me perder, mas o desejo de ficar no sítio com meus avós era muito maior que todos os meus medos! (Sinto saudades dessa parte de mim que colocava os sonhos acima dos medos!).
No horário exato meu avô estava lá, me esperando para irmos para o sítio. Neste dia fomos até a estrada mais próxima de carona numa caminhonete e de lá caminhamos cerca de cinquenta minutos até a grande casa branca onde minha avó estava na janela esperando ( e reclamando por eu ter levado tanto sol e ter caminhado tanto a pé, ela se preocupava e reclamava, mas meu avô dizia: “A menina quis vir Nâna!”. E ela olhava pra mim e sorria, pela felicidade de saber que eu a amava e que queria estar ali com eles!
Éramos nós três num sitio distante e sem vizinhos próximos, mas eu amava tudo aquilo! Meus pais, meus amigos e até mesmo meus avós nunca entenderam o porquê de tanto amor por essas viagens, mas foram todas as férias que passei lá que me deixaram as mais preciosas lembranças e ensinamentos que tenho guardado até hoje.
Aprendi com meu avô que o trabalho feito com amor sustenta o homem física e espiritualmente, ele hoje possui noventa e quatro anos e se mantém trabalhando na roça. Ele é lúcido, saudável e feliz.
Aprendi com minha avó que há valores espirituais que vão além do que enxergamos.  Muito de minha fé eu devo a ela, por todas as vezes que me deu a oportunidade de conhecer a magia que é viver.
As longas caminhadas que fizemos ao amanhecer ou nas noites de lua cheia para visitar os vizinhos me mostravam uma beleza que passeio a shopping nenhum se iguala em beleza e encanto. Andávamos por trilhas estreitas dentro da mata fechada e tudo era encanto. Quando chegávamos na casa dos vizinhos, erámos recebidos com imensa alegria e a pobreza se fazia riqueza pelo amor que havia envolvido. Tudo era simples, tudo era puro amor.
Tomei muito café com bolachas, acho que foi daí que surgiu o meu vício por este liquido!
As velhinhas benzedeiras que eram amigas de minha avó e a ida a cidade para fazer feira do meu avô é inesquecível, ele montado em seu jumentinho com mil recomendações de minha avó para que trouxesse guloseimas para mim e para que voltasse cedo.
Também não esqueço as manhãs que passei seguindo meu avô pelo roçado, ele cavava o buraco e eu jogava as sementes dentro. E minha avó reclamando da janela, que eu ia ficar queimada de tanto levar sol e que minha mãe iria brigar quando me visse daquele jeito! E meu avô novamente dizia: “A menina quis vir Nâna!”.
Enfim, são muitas lembranças e elas jamais serão apagadas, mesmo que derrubem a casa que serviu de palco para essa parte tão bela de minha vida.
Há alguns dias voltei ao antigo sítio, nada era como antes...
Minha avó faleceu, meu avô foi morar com meu tio (onde é tratado com amor e respeito) e casa será derrubada para que no lugar seja construída uma casa nos padrões modernos de um arquiteto renomado (foi isso que uma das herdeiras do sitio me informou, quando pedi a chave da casa para rever o que estava na memória), confesso que na hora eu senti um ódio tão grande daquela mulher que dizia que iria derrubar a casa que meus avós moraram por tanto tempo, mas depois em percebi que mesmo ela derrubando a parte material, o mais importante sempre irá existir, porque eu vivi, amei e agora estou repassando para vocês, porque uma forma de eternizar o que se viveu, é compartilhando!
Que a grande casa com sala de estar, jantar, dois quartos, banheiro, duas cozinhas, uma dispensa e um grande fogão a lenha seja sempre lembrada! Que a grande casa com um terraço amplo e um grande banco de cimento, seja sempre lembrada!
Luciene Linhares

24 de Fevereiro de 2016

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Um lixo de vida



Um lixo de vida

Uma amiga querida trabalha na vigilância sanitária e outro dia ela me falou que houve uma denúncia de que havia carne envenenada no aterro e que até os urubus que haviam comido morreram.
Para muitos o parágrafo acima pode parecer banal e sem lógica, afinal qual o problema de se jogar carne envenenada no lixo? O aterro é um grande amontoado de lixo, e isso não deve fazer diferença alguma!
Mas, faz uma IMENSA DIFERENÇA para quem sobrevive do lixo!
Longe dos olhos de muitos, há gente como a gente que vive do lixo! Gente que recolhe aquilo que julgamos imprestável. Triste, né?!
Mas, há gente que se alimenta, se veste e sobrevive no lixo e do lixo.
Quando citei acima as palavras “se alimenta” é porque eles literalmente comem os alimentos que encontram no aterro, comem o que foi descartado e é por isto que o pessoal da vigilância sanitária se preocupa tanto com estes tipos de descartes, porque mesmo sem saber as pessoas podem morrer comendo algo assim.
Quando um alimento vence em nossa casa, nós jogamos fora. Afinal jamais comeríamos algo assim! Mas, e se eu te disser que muitas vezes este alimento chega ao aterro (levando em consideração as variações de temperatura e o próprio transporte, nada higiênico dos carros coletores de lixo) e que ele é aproveitado por homens, mulheres, crianças e idosos!
Difícil acreditar, né? Eu sei que é difícil até de imaginar que isso pode acontecer, mas acontece todos os dias nos aterros mundão afora!
Essa mesma amiga falou que ao conversar com um dos catadores sobre o risco de ingerir estes tipos de alimentos ele sorriu e falou:
- Mas, a gente não come quando tá envenenado não! A gente viu que até os urubus morreram! Mas, o melhor mesmo é quando vem o lixo dos supermercados, porque vem até congelado! A gente enche o bucho e fica forte e feliz!
Quero deixar a seguinte pergunta para vocês, caros leitores: Como se sentem sabendo que um semelhante vive assim?
Sabe o que é mais contraditório, é que minha amiga falou que havia felicidade nos olhos dele. Mesmo com tanta dificuldade e privação ele era feliz, animado! Brincava enquanto catava o seu lixo de cada dia!
Este homem nos dá uma lição não só do que é felicidade, mas do quanto somos pequenos e cegos. Somos cegos para o sofrimento alheio e ingratos, reclamamos na mesma proporção do que possuímos. Quanto mais possuímos, mais estamos insatisfeitos e infelizes. Quem será que tem um lixo de vida, ele ou nós?
Eu já visitei um aterro e é uma lição de vida, aconselho os caros amigos a irem também. Vão e levem seus filhos, mostrem uma realidade que existe e resiste sofridamente. A compaixão pode e deve ser ensinada, é uma forma de semear um amanhã melhor.
No aterro tem muito lixo, óbvio! Mas, tem muita gente boa também! Gente que não perde a fé e nem a alegria. Gente que brinca e ri da sua própria desgraça tornando assim o não só o seu fardo mais leve, mas aliviando o nosso também, mostrando-nos que nossos problemas são insignificantes diante do que eles vivem.  
Eu acho até que para Deus este tipo de gente são como flores de lótus, elas vivem na sujeira do egoísmo da humanidade que permite que seus irmão vivam sobre condições péssimas enquanto outros roubam descaradamente o que deveria alimentar os necessitados.

Luciene Linhares

29 de Janeiro de 2015

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Culpa e culpados, mas afinal a quem pertence o julgamento?


Culpa e culpados, mas afinal a quem pertence o julgamento?

Há mais ou menos dois anos eu estava voltando sozinha da faculdade e quando subia uma rua meio deserta ouvi uma voz chamando:
- Moça!
Olhei já assustada porque já era tarde e a onda de assaltos era absurdamente grande neste percurso ao qual eu tinha que passar. Não vi ninguém na rua exceto uma prostituta que fazia ponto na esquina.
Na verdade eu não acreditava que ela estava falando comigo, então chequei visualmente a rua inteira e só havia nós duas, ela de um lado da rua e eu no outro lado.
Parei, olhei e ela insistiu:
- É como você mesmo que estou falando! Venha aqui!
- Hesitei por alguns instantes, confesso que movida metade preconceito, metade medo. Mas, respirei fundo e atravessei a rua ao encontro da mulher.
Quando me aproximei, ela puxou meu braço e falou baixinho:
- Não suba a rua agora, na outra esquina tem dois ladrões esperando para roubar e estão armados. Eu vi quando subiram combinando o próximo assalto. Fique aqui e espere o pessoal da faculdade de enfermagem subir para que você possa subir junto com eles.
- Muito obrigada! – respondi, extremamente grata e envergonhada pela minha atitude indigna.
Fiquei ao seu lado no ponto por mais uns quinze minutos até que o pessoal começou a subir e eu segui o meu destino, aliviada por não ter sido roubada, mas com a consciência pesando toneladas de remorso por tamanha injustiça que eu havia cometido contra aquela mulher que levava a vida como prostituta.
Logo eu, que vivo pregando o não julgamento, o não preconceito...
Mas, naquela rua escura todo sentimento ruim que havia em mim foi aflorado e eu a julguei. Me arrependi profundamente e procuro, pois não sou perfeita, pensar mil vezes antes de julgar. Tento ao máximo ver o lado do outro, mesmo que este lado seja obscuro.
Eu julguei pela aparência, me enganei e me arrependi!
Que este relato possa servir para você que está lendo isso agora, nós julgamos pelas aparências, pelo que consideramos certo e perfeito, mas nossa visão é limitada, não enxergamos além, não enxergamos o que está no coração dos homens. Mas, podemos nos esforçar para ver no outro a nós mesmo e com isto, agirmos com mais compaixão.

Luciene Linhares

15 de Janeiro de 2016

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

REPEITARÁS O TEU PRÓXIMO COMO DESEJAS SER RESPEITADO



REPEITARÁS O TEU PRÓXIMO COMO DESEJAS SER RESPEITADO

Aprendemos lições ao decorrer de nossas vidas, as pessoas que estão ao nosso lado não necessariamente a nosso favor, estão lá por um motivo, nos ensinar a ser cada vez melhor.
Há um ano eu passei por algumas situações que me tiraram do sério (quem me conhece sabe que tenho pavio curto e que não levo desaforo pra casa), uma criatura (que não tenho falsidade suficiente para chamar de colega) que estudava comigo me desacatou nas redes sociais por um motivo grosseiro e totalmente insensível, uma amiga que é protetora de animais estava vendendo umas canecas decoradas para ajudar a custear o tratamento dos animais que estavam sobre sua guarda, para ajudar eu divulguei no Facebook o anúncio desta amiga como valor da caneca. A tal criatura que estudava comigo viu o anúncio e começou a fazer piadinhas nos comentários tentando denegrir minha imagem e de minha amiga, insinuando que estávamos ganhando dinheiro em cima da causa animal.
Tentei educadamente (porque na verdade minha vontade era de enfiar a dita caneca no orifício rugoso dele) nos comentários subsequentes, mas ele insistia nas difamações, então eu deixei de lado e segui minha vida, até que as aulas da faculdade recomeçaram e eu tive o desprazer de ver a tal criatura todas as noites.
Como se não bastasse ter que ver esta criatura, ele vulgarmente começou a me provocar em todas as aulas. Não perdia uma oportunidade de ridicularizar e falar besteiras pra me atingir. Quando eu ia pra um seminário, podia ver ele e outra amiga dele rindo de mim, tentando me constranger.
A situação ficou tão insuportável que eu pedi para a coordenadora do curso para sair da turma em que ele estava, porque meu nível de resiliência havia chegado a um patamar insuportável e pelo que conhecia de meu espírito nada gentil, iria chegar uma hora em que eu iria partir pra ignorância quebrando a cara dele.
Como boa estrategista, estudei bem o perfil do meu inimigo de faculdade, percebi que ele era um ser totalmente imaturo, fútil e arrogante. Seus pais possuíam uma boa condição financeira, proporcionando para ele um mundo de conforto e ilusão. Ele vive numa bolha em que o outro não existe. Não é capaz de se por no lugar de ninguém porque está abarrotado de si mesmo, abarrotado da merda de ser humano que ele é.
Em todas as situações devemos tentar ver o que nos trouxe de bom (não vou ser hipócrita pra dizer que no calor da emoção iremos ver isso, mas depois que a coisa esfria, devemos ver o que a vida nos ensinou em cada momento vivido) e neste caso eu aprendi que o maior e mais importante dos sentimentos é o RESPEITO e não o amor como todos falam.
Você tem todo direito de não gostar de uma situação ou pessoa, mas você tem o DEVER de respeitar o outro.
Eu confesso que detesto esta criatura que me irritou um semestre inteiro, mas tenho dignidade e maturidade suficiente para respeitá-lo em todos os momentos e lugares nos quais a vida nos impuser juntos (separadamente, claro). Jamais faria o que ele fez, jamais tentaria humilhar ou provocar um desafeto, porque não é isto que desejaria pra mim. Procuro respeitar, mesmo discordando ou neste caso, odiando. Respeito o meu amigo e também o meu inimigo.
Criaturas como esta estão em todas as partes! A todo instante somos obrigados a ouvir as idiotices e agressões desrespeitosas direcionadas as pessoas que escolhem viver suas vidas da sua forma, seja ela religiosa ou sexualmente contrária ao que a “maioria” acredita ser o certo.
As vezes essas agressões e insultos são pautados “na palavra de Deus”, parece que eles não conhecem a parte que diz: “Amai-vos uns aos outros como a si mesmo”, porque se conhecessem saberiam que o respeito é fundamental para o amor possa existir!
Luciene Linhares

12 de Janeiro de 2016