domingo, 9 de setembro de 2012

Faxina geral nos sentimentos






Faxina geral nos sentimentos
 
Tenho o estranho costume de acumular cacarecos em minha casa com a desculpa de que um dia aquele pedacinho de lã, isopor ou madeira vai servir de base para uma peça maravilhosa de artesanato. Mas, a correria do dia a dia não me permite concretizar este pensamento. Então, o que de fato fica é uma bagunça incrível, que ocupa espaços preciosos da minha casa já tão pequena.
Tomei uma dose dupla de coragem e encarei o desafio não só para arrumar a bagunça, como também, para deixar de lado o apego emocional que tinha pelas bugigangas e após a longa faxina, ficou apenas o estritamente necessário, aquilo que iria me servir e o resto joguei fora.
A casa ficou bonitinha e aconchegante. Deitei no sofá para analisar melhor meu trabalho de doméstica e faxineira daquela tarde e percebi que eu não acumulei apenas coisas inúteis em minha casa, mas que venho acumulando sentimentos e pessoas inúteis em minha vida. Porque cada vez que alguém me fere, guardo rancor e revivo o sentimento de raiva e tristeza que aquela pessoa me proporcionou. Com isto acabo levando ela comigo em minha vida, e a sua presença desagradável e totalmente desnecessária se faz presente. Ocupando o espaço valiosíssimo de meus sentimentos.
Também percebi que estava ocupando um espaço maravilhoso que eu poderia guardar outros sentimentos com as palavras de inveja e descrença em meus sonhos, ditas por aqueles que além de não possuírem a coragem de lutar pelos seus sonhos, são incompetentes o suficiente para minar o dos outros com palavras de desânimo.
Alguns destes sentimentos são difíceis de jogar fora, são como as tralhas que eu guardei, no fundo eu sinto que não faz bem, não constrói, nunca vai acrescentar nada bom, mas me acostumei a tê-los por perto e sinto ter que jogar fora. Não pela ilusão de que um dia vai ser melhor, mas pela força do costume de tê-los sempre ali.
Só que uma hora agente cansa de viver no meio de tanta coisa inútil, né?! Eu cansei. Preciso de espaços vazios em minha alma para colocar o que é belo. Quero me sentir confortável com a minha própria essência.
Se perceber que já não está em minha vida, se liga, você era uma das tralhas.
 
Conversa de passarinho
09 de Setembro de 2012